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Fome de que

Eles não veem novelas, se enovelam em novelos humanos; não velam só revelam a novela humana em novenas sacroprofanas. Júlio César de Carval...

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Vulcano e Mariana

São alienígenas estas potências da mineração. Não se importam com o Planeta e seu sistema. São como os Romulanos de Guerra nas Estrelas buscando sempre um Planeta Vulcano para destruir e para isto embarcam em sua nave Narada tão logo terminem o extermínio e vão à busca de mais.

Milhares de vidas foram ceifadas.
 O Rio morreu assim como todos os seus berçários.

Embora queiram nos induzir a imaginar que foi uma tragediazinha local não tem como negar que na verdade foi um os maiores crimes ambientais do mundo. A lama se mistura com o salgado, com o sal gado, e, jamais será novamente motivo para celebrações de rituais Sagrados, a não ser o de tristezas e morte. J muito triste.


Júlio César de Carvalho Jota

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Escultor de fumaça

Já tive uma névoa enflamulada cobrindo meus olhos, mas naquele momento a névoa quando flamulava movida por ventos rítmicos emitia sons, ditava projetos. O envolvimento era magicamente natural e a visão muito critica, paradoxalmente, materializava certezas.
Faz parte do processo esta coisa de nos descobrirmos humanos e enquanto humanos sempre aprendendo, perceber que poucos conseguem controlar ou eliminar seus vícios e muito mais complexo ainda não falhar com o ajuntamento, com a Cidade. Um escultor de fumaça só isto que era.
O tempo voa para nós urbanos/humanos e agora já mais antigo e próximo do meu fim percebo que aquela parte do mundo que decide não tem um projeto, está sempre convenientemente a deriva. E neste momento administram consequências com operações tapa-buracos.  Demorei algum tempo para me descobrir um escultor de fumaça e desta forma não posso acelerar como o outro faz o curso; é um movimento natural.
Mas observando o fragmento de mundo por onde dou minhas passadas não tem como não me sentir agônico  com a lentidão deste processo. A impressão é que a auto preservação que passa pela preservação da espécie não é nossa prioridade. Não cuido de mim, não cuido do outro, não cuido do mundo. Não coloco o planeta na sequencia, pois ele é um ancião de 4 bilhões de anos, com experiências de reconstrução inimagináveis e no momento que se sentir muito incomodado coloca todos para fora, simples assim.
O fundamentalismo intelectual, o fundamentalismo do capital, o fundamentalismo religioso, o fundamentalismo da amoralidade e aquela coisa rasa de colocar o dinheiro em um altar para adorar aceleram o fim deste mundo.


Júlio César de Carvalho Jota

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Marinalva II

          Dias atrás falei sobre a Marinalva, aquela diarista que virou empresária foi alçada a classe média através de processos que privilegiaram a demanda em detrimento da oferta e depois despencou caindo quando a ilusória bolha estourou.          Bom, a Marinalva que presta o seu serviço de diarista aqui em casa uma vez por semana, na paradinha para tomar água me chamou de lado e “seu Júlio preciso que o senhor me dê mais um dia de trabalho”, eu disse, Marinalva não posso, meu orçamento já esta comprometido e estou me esforçando para continuar com pelo menos este dia com você. Perguntei, mas Marinalva você estava com a agenda cheia, o que houve? E Ela, “seu Júlio aumentou a oferta de diaristas, o preço despencou e os dias ficaram bastante concorridos. A coisa tá apertando mais ainda seu Júlio. Diminuíram as horas de trabalho do meu marido. Até quando vai isso seu Júlio?”. 
        O que dizer para a Marinalva. Dar logo uma paulada final na sua auto estima. Dizendo que foi tudo culpa dela mesmo acreditar naquelas promessas todas (uma conversa que um amigo prega). Não posso, porque ela não é responsável por governos que privilegiaram a solução dos problemas através da espetacularização da demanda. Não dá mais, já era. Agora só com ideias, projetos. 
         Aqui no nosso trecho onde o grão é o que nos “alimenta” e por ser uma commoditie de grande aceitação no mercado externo causa uma falsa impressão de desenvolvimento, mas o Estado em um todo não usufrui disso, este grão não é tributado, ele recebe parcelas de um fundo de exportação que nem de longe representaria em dinheiro se o icms entrasse direto no caixa do governo. Desta forma só os municípios produtores são contemplados com o dinheiro deste movimento e tendo condições de gerar um auto IDH para seus citadinos. 
        A Marinalva é um reflexo vivo do que acontece e só através de pessoas como ela, dessensorializando-as, podemos materializar uma realidade mais palpável, se é que podermos palpar a realidade.  Vai ficando mais complicado porque pessoas como a Marinalva, embora tenham sua fé ancorada em uma destas igrejas que auxiliam no controle e por isto recebem tanta atenção de governos, principalmente deste, já esta pensando muito esta relação, de ter sido contemplada através de sua vontade e fé alçando os degraus do conforto e de repente sem nenhum aviso do pastor, despenca.  
          Pensei em pedir calma para Marinalva, mas tenho a impressão que não vai adiantar.

Júlio César de Carvalho Jota

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Ampulheta do Friedrich

          Esta história de que a ampulheta vira e a coisa se repete nos mínimos detalhes em um movimento infindável, contada por um conhecido antigo o Friedrich, ao mesmo tempo que acalma a boiada me faz buscar harmonia na desorientação. A desorientação me livra da ignorância. 
             Pensamentos não são caixas cheias de conhecimentos, sem desordem, só abrir e usar, o já tão difundido plug and play. Não é assim. Necessário o “espanto”, tropicar no próprio passo pra alcançar o significado. 
        Uma parte grande movida pela rotineira inteligência setorial continua impregnada do resumo de já dobradas orelhas, só entra no campo de jogo benzendo-se com o sinal da cruz e dando aquele saltinho para pisar com o pé direito e pedindo aos deuses que o dia tenha a sua normalidade mantida, sem surpresas. 
          Neste mundo de destros a garantia de ter um fragmento certo para a edição do filme da minha vida vem naquele momento em que acordo pisando com o pé esquerdo, a impressão é “está dando tudo errado, fugiu do controle”. Mas neste movimento o pensamento acuado obriga-se a buscar entendimento pensando de novo e me faz perceber: nada esta sob controle. 
         A rotineira página em branco do “estar bem” é um truque da imaginação para nos sedar, impedir que o pensamento pense além da infelicidade, dizem ser coisa dos romanos.

Júlio César de Carvalho Jota

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Marinalva I

07 horas da manha a campainha toca, vejo pelo vidro que é a Marinalva, uma ex-diarista que tornou-se uma grande amiga, estava com o neto e duas netas. Oi Seu Júlio, com aquele jeito várzea-grandense de ser, como vai, cadê a Dona e já foi entrando. Marinalva não oferecia mais seus trabalhos de diarista há bem uns oito anos. Estava trabalhando com compra e venda de roupas usadas, um brechó ambulante. Construiu alguns quartos na casa dela com créditos da Madeireira Titão e a renda do brechó. Estava muito fácil Seu Júlio, não faziam nem cadastro, disse ela tempos atrás. Alugou os quartos e com a renda melhorou a qualidade de vida da família. Mas para minha surpresa, depois de jogarmos um pouco de conversa fora, Marinalva veio para oferecer seus serviços de diarista. Percebi na Marinalva uma chateação, quase uma tristeza e ela percebendo que percebi me perguntou na bucha, porque não está dando mais certo Seu Júlio, meus inquilinos não conseguem pagar mais os aluguéis, não consigo clientes para meu brechó e os que tenho não conseguem me pagar, por isto estou devendo as prestações lá na Titão. Pensei como vou explicar para a Marinalva que a forma que o governo encontrou para manter as chances de prolongar o seu tempo governando era criando uma ilusão de felicidade através do consumo, mas que cedo ou tarde este sistema se mostraria frágil, porque não criava estruturas, pilares, e iria ser confrontado e as pessoas que compraram aquela ideia sem tentar entender como seria ficariam decepcionadas. Embora o desejo fosse desmascarar aquele engodo, preferi dizer a ela que era só um movimento passageiro e que logo as coisas voltariam a normalidade, de pronto aceitei a oferta de tê-la novamente como diarista. Ela não imaginava, mas pensei já estão voltando a normalidade, o que ela viveu foram momentos de uma fracassada excepcionalidade. Uma pena que neste tempo todo de governança não fortaleceram as estruturas do país para impedir um vendaval na auto estima da Marinalva.

Júlio César de Carvalho Jota

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Panelas de ouro

Enquanto “esquerda e direita” digladiam-se para imputar a um ou ao outro a responsabilidade pelo produto in visível que gera montanhas de dinheiro e para isto tentam mudar o conceito daquilo que chamamos hoje de apropriação do dinheiro público para consultoria, o primeiro ministro Renan, incluindo o “guru” Sarney, esteve o dia todo reunido com a cúpula do governo para discutir os rumos naquilo que ele, o primeiro ministro, chama de agenda Brasil, de sua autoria. E os bancos e seus banqueiros que não têm nada com isso (?!?!) gargalham sem parar, porque como sempre com o país em dificuldades realizaram o maior lucro líquido da história. E as crianças conversando qual o som é mais interessante se o da panela cheia ou o da panela vazia. Os banqueiros com sua gula incontrolável que causam a fome da maioria, bamburram com suas panelas de ouro cheias de variadas iguarias. Só pensar não resolve pensar é pensar de novo.

Júlio César de Carvalho Jota

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Urbanos/Humanos

         
Percebo a perplexidade das pessoas quando comentam sobre as demonstrações de racismo, homofobia, intolerância e violência incontrolável, como se quem as cometessem fossem alienígenas. Não faz muito tempo nos apartamos da ludicidade do campo e o campo de certa forma harmonizava a animalidade do animal em nós. Hoje somos animais urbanos/humanos, confusos, tentando entender o porquê da tentativa de desnaturalizar a nossa natureza; continuamos aprendendo embora uma parte grande pense ter a certeza que sabe tudo. A nossa cabeça, uma portaria, constantemente aberta e o descontrole para aquilo que entra é total, acontece o tempo todo; daí vem os equívocos que em determinados momentos se materializam sem dar oportunidade de um outro movimento, até de forma violenta.  As vezes alguns pensamentos nos assustam. Por isso não basta pensar, temos que pensar várias vezes o pensamento pensado para entender que no esculpir de nós mesmos as raspas, as sobras não são eliminadas. Vão e voltam. Pensar é sempre um Pensar de novo. Tudo que exercitamos e praticamos, o fazemos na plenitude da nossa humanidade.


Júlio César de Carvalho Jota.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ingênuas cobaias



O desejo pela perfectibilidade é o que diferencia o animal homem do animal bicho. Esta ânsia faz com que alguns ignorem limites e transformem o seu entorno em um imenso laboratório, onde atraem cobaias convenientemente ingênuas, mas esperançosas de serem manipuladas.

Júlio César de Carvalho Jota

terça-feira, 2 de junho de 2015

Sinjão

segunda-feira, 1 de junho de 2015

In tolerância

          
              foto: Jamal Dajani
     Uma foto aérea de migrantes fugindo desesperados de ações radicais e violentas acontecendo em seu território me leva a pensar sobre a frieza na tomada de decisões daqueles que podem acolher. Pensando, imagino que sejam só humanos exercitando sua, ainda, primitiva humanidade. Não entenderam que a principal lei da natureza que é a autopreservação da espécie só acontece se preservarmos o outro, caso contrário caminhamos para a extinção. Neste momento vivenciamos como era no inicio um individualismo exacerbado, cada um cuidando de si. No discurso dizemos querer fronteiras abertas para qualquer parte, mas na prática criamos cada vez mais divisas que nos confinam. Os comentários sobre o assunto mais uma vez são focados na cômoda posição de criticar as consequências que o fato demonstra, mas as causas passam ao largo do assunto, o que me faz perguntar, não tolerar a radical intolerância de determinados grupos pode fazer de mim um intolerante neste mundo dos politicamente corretos? Estamos assim, todos aprendendo, muitas vezes ignorando os nossos próprios micro fascismos.

Júlio César de Carvalho Jota

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Zinabre nos cabos

         
Passeando pelas ruas e pelas redes percebo que existe uma pós-desorientação, espécie de trégua, quase inconsciente, causada pela frustração das respostas recebidas dadas por aqueles pelos quais armou-se resistências radicalizadas em vários movimentos. Sensação desmantelada, neste momento gerando intuições causadoras de arremedos de pensamentos ainda não entendidos e que mantém a bateria com carga máxima, mas com cabos zinabrados, dando a  impressão de bateria descarregada. A francesa do FMI vira e mexe esta no trecho e diz que estamos no caminho certo. Será que a amizade voltou a ser assim tão intima? E os desencontros na base, com alguns petistas questionando ações ultra liberais do governo Dilma. Os políticos não aprendem, continuam comodamente a fazer o caminho mais curto, ir para o centro do poder, evitam a periferia; não gosto de sulcos, mas no caso, é um trecho obrigatório (periferia, centro, periferia), tem que ir e vir, o sulco tem que ser criado, só assim é possível materializar comunicações. Não me iludo neste arrocho que vem por aí, basta algumas lágrimas neste zinabre para os cabos voltarem a dar faísca liberando excesso de energia até então armazenadas. 

Júlio César de Carvalho Jota

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Vaga a mente e mente

         
          A distância gera a forma, coisa que a textura não permite se nos deixamos contaminar por ela. Mas a forma, matreira, também causa enganos. Um destempero dialético necessário. Este movimento de extremada subjetividade, onde o que está fora deixa de ser a cerca que limita, para provocar inúmeras possibilidades. Entender que em algum momento o outro é incompreensível e isto não nos impede; de certa forma é o que gera a autonomia. Esta dissonância entre mão e cabeça faz com que aquela coisa da artesania não aconteça. Daí o artífice não sente, não intui, não pensa, não entende. Só vaga a mente e mente.

Júlio César de Carvalho Jota

terça-feira, 17 de março de 2015

Março de 2003-texto antigo

Sábado, 08 de Março de 2003. Dias atrás, sentado em um dos bancos que volteiam um jovem coqueiro da Praça Maria Josefina, pensei na forma anatômica da grande igreja, uma gilete, ela corta dos dois lados com extrema precisão muito antes do romance Ubaldiano. E hoje vendo o clamor pelo exercito nas ruas me lembro de um tempo não muito distante onde à população insuflada pelos movimentos clericais e receosa, também agiu da mesma forma. O que me leva a pensar num roteiro carcomido, meio que amarelado, mas que pode voltar ao topo das bilheterias com grande sucesso. A diferença é que nesta nova forma, fugindo um pouco do controle do roteirista, acontece um grande movimento de personagens, anônimos, formados por uma grande massa de figurantes que sentem na pele o texto elaborado, mas continuam a não saber interpretá-lo, são movidos por rótulos, não compreendem os conceitos mais básicos.  
Hoje, na janela de pequenas polegadas, observo alguns atores da encenação passada, tecendo comentários sobre os vários atos encenados naquele palco. Vejo saudosa e dolorida memória naquelas figuras quando dizem que foram e realmente foram perseguidos, torturados, censurados, por um inimigo palpável, que do nada apareciam, quebrando, batendo e prendendo. Percebo também que alguns atingiram a meta proposta que era a difusão de suas ideias; pois são pessoas onde visualiza-se nitidamente o sucesso seja na política, literatura, cinema, música, no teatro e em diversos cargos públicos. Pensando, alguns vivem memórias de tempos passados e que a imobilidade causada por um bloqueio (in) consciente permite hoje movimentos muito mais duros, orquestrados por inimigo muito mais poderoso, e,  muito mais voluptuoso, o mercado do puro dinheiro. Talvez a dificuldade se dê exatamente por isso, contaminados por este vício, governos transformam-se em mercadores da alma alheia e às vezes até em merca-honras, mesmo tendo na sua condução algumas pessoas que sabemos justas e interessadas no desenvolvimento e felicidade do seu povo.

Ao contrário da encenação passada, hoje, o poderio deste personagem é tamanho que realiza toda sua apresentação com muita clareza e transparência, assumindo de vez o seu papel; lastreado por uma turba que não sabe o que pensa, porque pensa e não entende o que pensa nem o pensamento pensado. Trágico.

Júlio César de Carvalho Jota



segunda-feira, 16 de março de 2015

AH! Esta República.

          Embora a nossa República tenha sido fruto, distante,  de uma gravidez provocada por um ato mis em cênico e midiático que foi a independência em setembro de 1822, ato este financiado pelas oligarquias da época, ou seja, não tinha povo na encenação, um cavalo, uma espada, um chapéu e alguns figurantes, se eles dominassem o cromaki, meu Deus. 
          Sessenta e sete anos depois o parto acontece e nasce a República, com um cavalo, uma espada, um  chapéu e figurantes,  já contaminada por vícios que perduram até hoje que aconteceu pela insatisfação contra atos de corrupção e insatisfação da elite, na época agrária, que exigia mais poder e por isso queriam o fim da monarquia, sempre os mesmos. 
       Cento e vinte e seis anos da proclamação observamos outro ato mis en cênico este sim construído com que há de melhor na tecnologia da desconstrução, câmeras fechadas, pesquisas com as famosas margem de erro, usam e abusam do photoshop,  da contra informação; as infovias abarrotadas com os jogos das militâncias, mas o que mais me chama a atenção é que nas decisões o povo continua de fora e estas ações que continuam sendo promovidas pelas oligarquias de antão são para embebedar  e causar orgasmos temporários. A coisa vai continuar confusa com ou sem o que está de plantão. 
          O lance é que este modelo já era e estes movimentos, dizem só do “povo” branco, não penso assim, não vai parar, o que assusta os que estavam e imaginam que ainda estão na condução de cabresteiros. Se não acontecer uma autocritica destes que compõe o governo e de todos que participam de suas legislaturas vai ficar cada vez mais aguda a dor provocada por esta agulha que cutuca.

Júlio César de Carvalho Jota.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Ingenuidades

          Só não vê quem não quer; a prateada sempre foi a "oficial" de todos os governos. Uma grande parte aceita o falso jogo de uma provável mídia golpista, tudo um grande mise en scene. Como pode uma dívida monstruosa desta e sendo uma concessão, o governo que se diz agredido e que tem o poder para resolver a questão simplesmente não usa a Lei. Isto me intrigava a 40 anos atrás, hoje não, uma farsa que não engulo mais. A pergunta certa sempre será: Qual a intenção. Não vivemos um momento para exercitarmos uma conveniente ingenuidade; se queremos de fato uma nação poderosa, não podemos aceitar estar em uma arena, embandeirados, divididos, fazendo o jogo de um sistema que eliminou as setas e só nós romanticamente a mantemos. A maior utilidade da prateada e dos templos das universais é manter o controle induzindo discussões geralmente inúteis naqueles que lhes são fiéis,que gera réplicas também inúteis, por isso alianças como estas são úteis para qualquer governo e como a moral, hoje, é móvel... Simples assim. Sempre aprendendo a pensar e entender.

Júlio César de Carvalho Jota

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vamos brincar gente

         Para entender pesquiso todas as fontes possíveis, sem preconceitos. Embora todos os programas tenham interesse em prender a atenção dos sujeitos e para isto usam de artimanhas variadas, são nos programas de massa que conseguimos extrair com mais facilidade possíveis tentativas de indução a mudanças de pensamentos e como vivemos momentos de uma moral móvel, o interesse é que com pensamentos controlados muda-se facilmente o comportamento normatizando a moral que interessa.         Observando um programa matinal na prateada, em determinado momento a apresentadora mostrou uma reportagem em que crianças e adultos praticavam as lúdicas brincadeiras da minha geração e isto serviu de mote para o comentário sobre as redes sociais, a internet; ela disse que todos deviam ficar fora das redes sociais, desligando celulares, PCs, tablets, etc. etc., por pelo menos 6 horas; instantaneamente pensei ser louvável aquela sugestão, mas tentando entender o meu  próprio pensamento e percebendo que ela  não mencionou desligar a televisão, o meu grilo falante ficou assoviando na minha cabeça: Em um momento de mídias tendenciosas o veículo que nos possibilita uma avalanche de pensamentos variados são as redes sociais e todo o seu envolvimento. Sei também que o excesso de informação banaliza o valor da palavra e pode ser também uma estratégia de controle e indução, mas se existir vontade podemos, nós, liquidificar tudo isto e tornar a fluidez destas informações, tendenciosas ou não, em fontes de informações mais próximas do chão que trafegamos. 
         Adoro queimada, já fui campeão no ping pong, joguei finca, pião, bola de gude, bet, peteca, frescobol, canastra, buraco, pif paf, rouba montinho, brincadeiras de roda, passar anelzinho, papai e mamãe, de médico,  basquete, vôlei, adoro futebol fui um meia esquerda até jeitoso. Mas além das ruas e calçadas que ainda são os melhores lugares para o passo e para vencer qualquer batalha elas ainda obrigatoriamente têm que ser ocupadas, as redes sociais são um instrumento eficaz de combate aos pensamentos maliciosos e mal intencionados, só não ter preguiça e estar disposto a transpirar para entender pensamentos que pensamos e pensar os pensamentos prensados, e, para isto não precisamos perder tanto tempo assim em frente a uma tela luminosa. Podemos brincar sim,

Júlio César de carvalho Jota.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dogma X Vontade

Aqui do meu ponto de observação, confesso a minha dificuldade de em alguns momentos perceber, politicamente, qual lado carrega mais dogmas; entorpecendo a vontade, facilitando um alto grau de alienação. Sei que o exercício do pensamento, só ele, não significa o ato de agir e as redes facilitam isto quando dão a impressão de engajamento. Mas quando entre a razão e o desejo existe um árbitro poderoso que é a vontade, deixemos o conflito entre as vontades agir, é uma garantia que a escolha será mais qualificada, independente do bem ou do não tão bem que ela possa provocar. 

Júlio César de Carvalho Jota

sábado, 31 de janeiro de 2015

Deslocamentos: Cidade Confinada.


              
O nomadismo está incrustado, herança dos primórdios; urbanos, mas nômades. Conhecendo outros lugares, onde percebi o valor que se dá ao deslocamento e ao encontro, onde o desânimo não é forçado por instâncias interessadas em causar um travamento para a ação do passo. Coisa que desperta uma sensação de liberdade, quase uma felicidade, imperceptível nos do lugar porque parecem habituados com aquilo, mas transparente para o estrangeiro.
Deslocamento aliado a um posterior encontro, que acontece quando vou de um lugar para outro lugar, de uma praça para outra praça, fazendo um percurso com meu passo, pedalando, patinetando, atravessando jardins; em Belém bairro de uma cidade que visitei ao perguntar a localização de um museu, o sujeito me disse que chegaria ao local depois de percorrer seis jardins. Confesso uma caminhada longa, mas com o passo seduzido pelo desejo da visão, surge a diferença que nos faz quase levitar.
“De volta para o meu aconchego”, pedaço do planeta que escolhi para aprender a entender o meu mundo e os que me cercam fico com um sentimento de incompletude, como se estivessem me negando algo que já deveria estar materializado.
Declaro a minha incompreensão por ter que lutar, ainda, por coisas tão básicas. Quando passeio pela cidade percebo manutenção nos mesmos pontos, os mesmos buracos sendo tapados, as bocas de lobo são sempre as mesmas que não suportam a vazão das águas, a rede de esgotamento sanitário ainda uma ficção no meu trecho, embora sejamos quase um milhão de pessoas, continuamos a usar fossas ou jogar o esgoto em rede de águas fluviais que vão para os nossos mananciais de córregos e rios, ou como em regiões mais afastadas simplesmente deixá-lo correr por calçadas imaginárias. Semáforos que não são sincronizados, faixas de pedestre que quando não existem de fato, deixam de existir porque utilizam materiais inapropriados para sua execução; placas de sinalização depredadas e o poder público não se preocupa com isso, não repõe, não pune; o deslocamento de muitas gentes é feito em carcaças dinossáuricas; projetos que não projetam o crescimento da cidade, parecem feitos para, convenientemente, terem que fazer outro. Não privilegiam formas de mobilidade que poderiam aliviar a cidade de tanto martírio, tais como as ciclovias, os calçadões para quem quiser passear com seu passo. A impressão é que os do paço não se preocupam com o passo; preferem os gabinetes e seus corredores onde negócios mais interessantes são tratados.  
Gosto das calçadas, das praças, a facilidade para realizar o movimento de ir e vir, gera uma sensação de felicidade, onde de repente posso intuir e até pensar em liberdade. Mas existem motivos para pensar que não me querem trafegando nas suas sinuosidades. Tenho comigo precauções para me embriagar com a variedade dos desenhos dispostos para meus pés navegarem com tranquilidade; existem dificuldades cada vez maiores, como se estivéssemos em uma corrida de obstáculos; são postes mal colocados, buracos, bocas de lobo esfomeadas. Quando imaginamo-nos livres para o passo, eis que surgem as mesas e cadeiras; banquinhas e barraquinhas; carros e motocicletas estacionados sem nenhuma cerimônia, nos empurrando para o asfalto.  
Para atravessar a rua é um sufoco, não tem faixa para pedestre, quando tem, os insufilmados bólidos não estão nem aí, como no desenho animado andam com um carimbo para marcar o próximo atropelamento.
E aquela paradinha para recuperar o fôlego, o olho busca uma ilha na imensidão do concreto que nos faça esquecer um pouco o turbilhão urbano, mas onde está?  
Depois desta maratona alcançar uma praça seria um derradeiro e mínimo desejo; quando supostamente avistamos uma, não é exatamente uma praça, nos deparamos com equipamentos destruídos, falta iluminação, a mais básica das limpezas, aquela varridinha, uma aparadinha no mato, nem pensar, inexiste. As calçadas, as praças quando existem, desta forma, passam a ser ocupadas por alguns.
Nas conversas sobre a Cidade e seus movimentos, percebo uma preocupação excessiva quando assuntamos para o desejo de bolinar o vento, perceber o deslocamento das nuvens, sentir os suores e o cheiro das coisas; a noite namorar estrelas e seus mistérios, saber a resposta da lua aos urros interiores. Só percebo desânimo, medo. Os espaços estão aí para serem ocupados. Aceitamos muito morna e mansamente sugestões para o autoconfinamento físico e mental
Nunca clamamos tanto; o Estado é necessário, mas ocupado por governos medíocres é como se não existisse, transforma-se em um escritório de representações comerciais; desta forma começo a compreender a motivação que norteia o impedimento para o meu, o nosso deslocamento: Só controle, confinado e triste perco o ânimo, a motivação, passo a enxergar zumbies, até mesmo onde eles não existem ou ser um.  
Tornar oca uma Cidade que pulsa parece ser a habilidade do momento. Ocar para não preencher os vazios das gentes. Estratégia criminosa para facilitar o controle, ao mesmo tempo em que preenche os bolsos já cheios daqueles que executam com certa maestria esta tarefa. A Cidade é barbaramente violentada quando incapazes ou mal intencionados extirpam das suas entranhas o talento nato para gerar e contemplar a cada um o seu quinhão de felicidade.
A Cidade que eu moro ainda pulsa, quer dar o passo, flerta com as gentes, tenta de alguma maneira chamar à atenção para a violência que cometem com ela, mas estão todos em uma espécie de torpor, desinteressados, autoconfinados entre muros e carnes presidiais. Parece, esqueceram-se que autopreservação, a da espécie, não pode ser uma coisa individual só acontece se cuidarmos, também, da preservação do outro.
Neste mundo onde tudo é ida, a ética do arquiteto sucumbe à estética comercial de mercado e os não lugares proliferam para que possamos praticar a arte dos desencontros.


Júlio César de Carvalho Jota

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Aldeia primeiro, começando pela Oca central.

Em Várzea Grande MT, cidade com 290 mil habitantes, são executadas 20 pessoas todo mês(média). O fundamentalismo religioso ou qualquer outro é perigoso, estúpido; não tem como aceitar a violência praticada contra quem quer que seja; matando o outro estamos lentamente matando a nós mesmos; lei básica da autopreservação.Mas entupir a mídia 24 horas por dia com ações que acontecem do outro lado do mundo e não perceber ou comentar o que acontece do nosso lado isto é muito conveniente; serve aos interesses de um Estado/País que não cuida dos fundamentos básicos para assegurar a segurança e o direito dos seus e em uma escala menor das pessoas que distribuem a cesta básica humanitária digital e fecha os olhos para as calçadas por onde dá os seus passos. No Brasil deveria ocorrer o que o Estado francês praticou que foi decretar alerta máximo para proteger os seus cidadãos daqueles que praticaram atos de selvageria . Aqui, ao contrário, somos órfãos, pois o Estado está submetido a governos que não tem como prioridade imediata cuidar do direito de ir e vir dos seus cidadãos basta ver a situação de confinamento que os da cidade estão se impondo. Para quem não mora dentro dos muros presidiais dos alfavilles sair e voltar de casa tornou-se um ritual, temos que verificar se a rua esta vazia, se não tem nenhum elemento estranho, ai abrimos o portão. Nos ensinam a administrar consequências, como reagir a um assalto, como andar na rua, como esconder o celular, midiatizam produtos que transformam nosso lar em uma prisão, colocar câmeras, cercas elétricas, portões eletrônicos, arame farpado, como blindar os carros. E as causas? Sabidas por sinal. Até quando. Será que desejam que criemos uma espécie de fundamentalismo para fazer cumprir o que a constituição diz. Será que só aterrorizando a coisa funciona. Sou cético com relação ao futuro, para mim ele só existe projetado no presente e não é desta forma que vamos materializar mundos melhores. É para pensar. 

Júlio César de Carvalho Jota

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Os que estão na rua.

          Crianças que engordavam a renda familiar pedindo nos semáforos, “guardando” carros ou simplesmente ficavam nas ruas para fugir do assédio de pais e mães drogados, bêbados, inaptos para a tarefa, desligados da missão, desapareceram das ruas centrais  e até da periferia, contribuição da bolsa família que obriga os pais a manter os filhos na escola senão perdem o bônus. Mas em uma direção inversa aumentou assustadoramente o número de adultos que ocupam o lugar dos “meninos” no negócio de guardar carros, limpar para-brisas ou simplesmente pedir o dinheirinho do goro. Não uso o ar condicionado do carro, então a minha moeda sai quentinha, às vezes com um aperto de mão implorado, sem o gelo que normalmente é passada pela mínima abertura do vidro da janela daqueles que temem. 
          São muitos e estão aumentando. 
      Quando não recebem a moeda dizem um “mas fique com Deus assim mesmo”, como se a provação fosse causa divina e eu me negasse a auxiliar na remissão daquela prova e Deus estaria de olho em mim. Estão em todos os lugares, só não nos patrulhados e super protegidos não lugares. 

Júlio César de Carvalho Jota

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fome de que

Eles não veem novelas, se enovelam em novelos humanos; não velam só revelam a novela humana em novenas sacroprofanas.

Júlio César de Carvalho Jota

Mundo Predador

Perdemos a linha que desalinhava. O mundo inteiro administra consequências, não porque não saiba das causas. Alguns poucos ganham muito com um mundo predador.

Júlio César de Carvalho J

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Habemus oposiciones

Cultuam a bandeira e o hino; vão à missa (oucultos) todos os domingos; valorizam a família nos moldes tradicionais não admitindo o aborto; são xenófobos, homofóbicos, de comportamentos antigos. Enfim, defensores dos costumes e da moral que lhes sejam convenientes. Até a pouco misturados a nossa ainda incipiente república aos liberais, social/democratas e até na esquerda, sem declararem-se abertamente como reacionários de direita.
Com a acirrada disputa eleitoral e em consequência disso não perceberam que as máscaras estavam escorregando lentamente e no pós-eleição ficaram completamente nus sós com sua até então velada opinião. Ingenuamente, incrível, mas não tinham conhecimento do carimbo que poderia ser-lhes imposto.
Com o recuo dos partidos de centro direita que tem no liberalismo a sua principal bandeira, que também defendem a família, a propriedade, mas que admitem o aborto, o casamento gay, ficaram tontos, acreditavam que o candidato derrotado iria recebe-los com um esfuziante e apertado abraço, não foi o que aconteceu. As declarações dos partidos  que os abrigavam foram duras condenando qualquer movimento que colocasse a liberdade democrática conseguida com tanto suor e sangue em risco.
O grande guru Lobão disse que não tem nenhuma intenção de liderar nada é só um cidadão contra o PT.
Estão juntando fragmentos para montar um quebra cabeças sem cabeças. Ou criam um PdaD (Partido d direita) assumindo-se de direita bem a direita ou vão voltar para as igrejas ou templos que tem como regra uma cartilha “a moral e os bons costumes” de muito tempo atrás. No caso dos católicos não esquecer que o Papa Francisco é o mais Pop de todos.
Penso ser interessante esse novo mapa político que configura-se. O candidato derrotado alavancado a condição de liderança de uma agora centro direita que descobre-se forte e capaz de confrontar um PT tendo que voltar as origens deixar de estar centro esquerda para ocupar o lugar que os levaram ao poder, sair do muro conveniente do centro. E agora uma fumacinha de gravetos esfregados a torto e a direita começa a se elevar ainda manobrada pelos ventos.
Para quem reclamava da falta de oposição. Vamos ter um Congresso Nacional transformado em uma verdadeira arena em 2015. Pena que assembleias legislativas estaduais e câmaras de vereadores fiquem longe deste processo. Mas chegamos lá.


Júlio César de Carvalho Jota

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PdaD

O PD a caminho. As peças para compor a estrutura de um partidão de direita deixaram a invisibilidade; só falta coragem para assumir e parar de achar que o PSDB ou outra sigla vai abrigá-los mascarados de sociais democratas e liberais.

Júlio César de carvalho Jota

No tranco

A impressão é que acordaram de um sono letárgico e em função disso dúvidas espaços/temporais causam uma espécie de descognição, neurônios quase congelados tendo que pegar no tranco. Normal, daqui a pouco a conversa começa a ser mais inteligível e muito enriquecedora. 

Júlio César de Carvalho J

Enfim, Oposição.

12 anos sem oposição. Sempre escrevi aqui sobre a inércia oposicionista. O PT aprendeu na prática a criar resistência; depois consolidado enquanto oposição ferrenha aprendeu e praticou o mais complexo transferir a resistência para a autoridade que em não sendo legítima não suportava e sucumbia. Temos um arremedo de oposição agora. Maravilha. Estão praticando. Não acostumados a exercitar a resistência vão passar por algumas dificuldades por isso as vezes os excessos. Mas vão aprender. Só assim servirão a Nação brasileira e não a bandeira de seu time. Parabéns ao enfim contraditório, embora em alguns momentos desconectados da história. 

Júlio César de Carvalho J

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Como doar o seu voto.

          Não voto em parente, não voto em amigo, não voto em compadre, não voto em conhecido. Só terá direito a minha escolha aquele que apresentar um projeto que faça da cidade um templo que espalhe bênçãos de felicidade para todos que nela habitam. Um projeto de mobilidade urbana que elimine o excesso de veículos automotores, priorizando o pedestre. Equipar a cidade com ciclovias; construir parques e praças onde gentes tenham a oportunidade de se perceberem fora dos alfaVilles, das alfavelas e das infovilas. Um projeto de ensino/aprendizagem que faça o estudante e o professor desejar estar na escola trocando conhecimentos. Um projeto que incorpore ao cotidiano do cidadão equipamentos multidisciplinares que abriguem teatro, dança, música, cinema, artes visuais, bibliotecas, gibitecas, museus e locais onde os nossos idosos possam exercer atividades em grupo. Um projeto de segurança pública que não seja capitaneado pela mídia rasteira que nos aterroriza; um projeto que permita ao cidadão exercer o seu direito natural e constitucional de ir e vir e, para que isso aconteça, não é preciso privilegiar as indústrias de armamentos e segurança tecnológica que envolva blindados, câmeras, grades, cercas elétricas contemplando-as com grandes orçamentos - SÓ CUMPRIR A LEI. Iluminar a cidade; mantê-la viva, limpa. Permitir que o cidadão ocupe as calçadas com seus passos, permitir que ele ame a Cidade. A Saúde da Cidade, nestes termos, estará praticamente resolvida, só equipá-la para atender os acidentes dos quais, em alguns momentos, não temos o controle. Enfim só me procurem se forem cumprir a promessa feita que é a de gerar felicidade para o citadino.

Júlio César de Carvalho Jota

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Livre Arbítrio


          
Foto: Júlio César de Carvalho J
Um Monge, não sou muito de repercutir monges, mas este penso que budista, não sei, disse que poucos enxergam a curva que tem no final da reta. Imagino que queira ter dito que a reta termina em uma curva e pressupõe um novo começo, mas pensando depois da curva a reta continua, depois uma outra curva de novo a reta, pode pintar até um S e... Estamos condenados a livremente percorrer retas e curvas, as vezes um S, com um dito livre arbítrio para escolher, Santo Agostinho era danado. Mas a tirania da escolha não nos permite não escolher. O passo esta dado e a escolha queira ou não já foi feita.

Júlio César de Carvalho J

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Caos

Obra de Vitória Basaia
Sensação é um arremedo de pensamento não percebido que provoca um pensamento bruto e imediato, uma intuição; juntas esculpem o pensamento, o que pode nos levar ao entendimento e de repente acender momentaneamente o lampião. Tudo isto para dizer que uma grande parte ignora esta etapa, tateia no escuro, aceitando qualquer palavra tecida ou desenhada. Voluntárias que estão no confinamento físico e intelectual, o máximo de sociabilidade que praticam são os self’s narcísicos postados nas redes sociais.
Antes pensava que quando liquidificávamos pensamentos eles encorpavam o nosso caldo intelectual, hoje penso que esta liquidificação tem a função de desencorpar o caldo torná-lo mais fluido, mais fino, senão não circula, entope as vias. E as vias estão entupidas com um caldo grosso de difícil circulação. Uns com muita massa outros com excesso de falsos conteúdos.
Há um momento no caos que força, aos de boa vontade, a procurar um ponto de vista ou a vista de um ponto onde seja possível decodificar uma aparente desconstrução. Eliminando com isto prazeres mórbidos que alguns têm de criar, exterminar e até mesmo de ser zumbie (no caso mortos-vivos, fantasmas, fora do planeta e dos mundos).


Júlio César de Carvalho Jota

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Muros

Detalhes técnicos executados pelo burocrata de plantão que tem como referência uma agenda antiga onde os passos a serem dados já estavam definidos e ele sem questionar simplesmente vai apertando botões.
Já não há assombro no entorno; interesses variados promovem o desinteresse pela vida de outros ou banaliza-se assassinatos, a lei básica da natureza, o direito à vida, é ignorada.
Não tenho o direito de tirar a minha própria vida, como vou autorizar que tirem a vida de outros; como autorizar que alguns tirem a Pátria de outros. Existe ainda uma memória do nomadismo em cada um, mas enquanto urbanos temos o direito de voltar, de ficar em algum lugar. Não posso autorizar que o direito a mobilidade seja tolhido por fronteiras estúpidas ancoradas por muros presidiais que impedem entradas e saídas. Vários muros estão sendo erguidos, nos alfaviles, nas alfavelas e nas infovilas, mas o mais significativo é aquele que covarde e convenientemente tapa nossa visão.


Júlio César de Carvalho Jota

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Esquerda caviar X Coxinhas

          Observando esta beligerância entre coxinhas e esquerda caviar aqui na rede percebi que para cada provocação da esquerda caviar existem seis ou mais respostas, sem meias palavras, dadas pelos coxinhas. A esquerda caviar imagina-se com mais poderio intelectual, mais conteúdo, menos massa, mas fricoteia tanto com as palavras que não atrai simpatizantes, os coxinhas ao contrário verborrageiam e como existe mesmo um certo grau de insatisfação vão formando um exército que adora xingamentos. 
          Esta estratégia usada pelos dois lados replicando estatísticas de feitos, um diz que construiu mais escolas, o outro estabilizou a moeda, um roubou bilhões o outro só milhões. Nenhuma destas partes usa a própria palavra para dizer de políticas que poderiam facilitar a vida do povo brasileiro, me convencer que existe uma possibilidade de escolha que contemple a nação brasileira com tudo aquilo que desejamos, mobilidade com todos os modais operando rodovias, ferrovias, aeroportos com aviões(muitos, sem monopólios), metrôs, bondes, vlt’s, brt’s, carros, skates, ciclovias, calçadões, afinal estou urbano, mas antes de tudo continuo nômade. Escolas equipadas com tudo aquilo que for necessário para professores e alunos desempenharem seu papel, inclusive salários dignos e que o Estado adote todas as crianças do ensino fundamental. Que a escola ensine, mas que os pais tenham todas as condições para educar seus filhos. Que o SUS que é magnifico seja fortalecido para não ser implodido pelos privados. Que a fome, a gula por impostos diminua e que tudo aquilo que for arrecadado tenha de fato retorno garantido para todos das cidades. Que o dinheiro invisível deixe de financiar invisibilidades. Que a reeleição não exista mais para todos os cargos. Que as nossas fronteiras não sejam mais depósitos de drogas, armas e órgãos. Que todos tenham acesso aos bens culturais e muito mais... Sou todo ouvidos. 
          Ainda estou Dilma, mas... Penso que esquerda caviar e coxinhas não podem ser signos representativos de um debate sério daqueles que realmente se interessam pela Nação brasileira.Ah! Só um desabafo.

Júlio César de Carvalho Jota

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Temperança.

Vivemos momentos de excessos onde a adrenalina produzida pelos extremos é que prevalece. Excesso de violência, excesso de apatia; excesso de moralidade, excesso de imoralidade causando amoralidades; excesso de humildade, excesso de vaidade; excesso de paixão, excesso de névoas; excesso de coragem, excesso de covardia.  Aquela virtude que harmoniza o desequilíbrio, a temperança, parece não existir mais; era o acesso as extremidades, dialogava com o sujeito. Hoje a coisa não flui, estamos pedras presos aos extremos por um preguiçoso medo de engendrar temperos. A coisa está sem cor ou sem variedades de cores.  Para nutrir, à alimentação tem que ser composta por elementos ou alimentos de cores variadas. Não podemos continuar olhando o mundo como se vivêssemos a cena constante de um delito.


Júlio César de Carvalho Jota

Partículas mundo

Júlio César Jota
Mundo cada qual com o seu. Mas quando roteiros ainda desencontrados começam a fluir provocando susto em um sonho ou quando em sinapses rápidas surgem imagens ainda sem definição, penso que meu mundo roçou o mundo do outro acrescentando traços ao meu enredo. A impressão é como se estivesse em um acelerador de partículas, no meu imaginário partículas/mundo, onde esses mundos e seus fragmentos chocam-se constantemente, criando substâncias novas, desconhecidas a princípio, mas em instantes já fazendo parte do depositário que sou.
Vou sendo lambido pelo pincel do tempo e sem perceber vou estando só água aquarelada, esparramando-se, procurando lugar no papel. Movimento que me faz perceber a importância que é compreender um lugar nesse frágil suporte, onde outros também esparramam suas águas formando ondas quando encontram-se com as minhas. Ondas diluídas e misturadas através do pincel/tempo, inatingível quando esculpe os tons ou joga com suas luzes; isso nos leva a imaginar merecedores de mais brilho ou de mais cores; ignorando que as aguadas se misturam em harmônico desequilíbrio e a obra que nunca finda sempre se dá fazendo parte no mesmo suporte.
A tentativa de desacelerar o tempo para tentar perceber outros tempos possíveis nos inquieta e faz do passo um sobre passo. De outra maneira o desejo de vivenciar todos de uma golada só, nós faz ficar, sempre, com o último tempo percebido.


Júlio César de Carvalho Jota

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Auto upload

          Todos os dias, em função da minha profissão, passeio pela cidade. A referencia que tenho é o fragmento que observo. Ouço casos de violência, mas quando dou os meus passos pela Cidade,pelas calçadas, ruas, etc, não vejo estupros, linchamentos, brigas, com toda esta frequência que um vídeo de uma pessoa é repetido centenas de milhares de vezes (o mesmo).  
          Tenho 61 anos e nas minhas andanças já presenciei conflitos de várias matizes, normais na minha opinião, somos humanos, estamos aprendendo, cada um no grau que pode. A Cidade em que vivo tem em torno de um milhão de habitantes; aí fico pensando a porcentagem que podemos calcular sobre este um milhão de habitantes com dados estatísticos da violência, existem várias violências, a de transito por exemplo mata e mutila muitos, mas na conta entra como só violência, brigas entre traficantes, gangues. 
          O que estou querendo dizer: o interesse é que além de sofrer uma catarse eles querem que mimeticamente absorvamos estas imagens como algo do cotidiano e isto é uma mentira. O interesse é o nosso auto confinamento, voluntariamente aceitando esta prisão domiciliar. E para o controle isto é o máximo. Trancado em casa, excluído em alfavilles ou alfavelas, utilizando as infovilas. Querem nos tirar das ruas. Por isso ficaram apavorados com o movimento, espontâneo, de Junho do ano passado. Eles querem mais é que façamos um autoupload. Pensar pensar pensar.

Júlio César de Carvalho Jota

segunda-feira, 28 de abril de 2014

28/04/1974



28 de Abril de 1974 - Arujá-SP - Aqui os passos se misturam, se encontram, criam ritmos, configuram caminhos. O Sol brilhou muito forte neste dia, antecipando-se a uma Lua gigantesca que também viria.
40 anos aprendendo a aprender uma história que nunca terá fim. Te amo Toinha - Vitória Basaia Carvalho.
Júlio César de Carvalho Jota

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tortura

          Entra governo sai governo e a tortura continua; a tortura que é não ter acesso a um ensino público de qualidade que qualifique com massa critica o sujeito para que ele seja de fato um cidadão que vai saber exatamente como cumprir seus deveres e cobrar os seus direitos; a tortura que mata devagarzinho por não ter acesso a um sistema de saúde que funcione, embora concorde que o SUS seja magnifico, mas alguns não o querem funcionando; a tortura que é não ter acesso aos bens culturais; a tortura que é ser bombardeado todos os dias com propagandas que nos incentivam a consumir mesmo com o risco de endividamento desnecessário, porque este é o sistema na qual se baseia o governo para tocar sua obra; a tortura que é não poder ter direito a modais de mobilidade que me permitam trafegar pelo meu país com qualidade e preço justo; a tortura dos porões onde Amarildos e Claudias são sequestrados e mortos todos os dias; a tortura que é ter imaginado uma ação diferenciada daqueles que também foram torturados e nos fizeram cúmplices do seu canto, mas que parece terem perdido as marcas das suas lutas e que parecem seguir o mesmo prumo. Tô meio de saco cheio. 

Júlio César de Carvalho Jota

sábado, 5 de abril de 2014

Espaços vagos.

Não penso em teoria da conspiração, mas em ocupar espaços vagos na mente dos de senso comum sim. Neste caso do ipea fiquei pensando, eu, toda a família, os amigos e aqueles que as vezes circulam pelo trecho somos absolutamente contra a violência seja ela qual for psicológica, física e mais algum outro conceito que se encaixe no tema; nenhuma dessas pessoas fez parte da pesquisa. Quando me deparei com os números fiquei pasmo e com a auto estima lá embaixo, não repercuti, não fiz nenhum comentário. Respirei, pensei e imaginei uma possibilidade de intencionalmente alguma “entidade” tentar ocupar os espaços vagos para de repente apagar os vagos ocupados com pensamentos que feriam o statu quo.  Não importando em ferir a estima de milhões de pessoas, simplesmente colocaram em ação só para sutilmente dizer “errar é humano” mesmo que custem alguns bilhões de dólares. Aí vão dizer: Êh, Jota! Você é doido ou muito ingênuo. Voilá
Júlio César de Carvalho Jota.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Reformas, mudanças

Alguns conhecidos em Brasília, aposentados, são executivos por hobby, sofrem com os efeitos das mudanças. Esta coisa de mudar leva em conta o tempo que se quer permanecer no lugar. Estes conhecidos planejaram ocupar uma residência maior, mais arejada e com muitos acessórios que os auxiliariam a viver com conforto, segurança e muita diversão. O tempo estimado de permanência seria em torno de 30 anos, um período considerável e este fator requeria algumas providencias quando pensa-se naquela coisa subjetiva de moldar o local a sua imagem (o imóvel desejado sempre teve moradores de longa estada e todos usavam esta máxima). Vocês não imaginam o sofrimento que é desaparelhar, substituir tudo aquilo que foi concebido por outra ocupante família, o processo é de quase demolição; os vizinhos querendo ou não sentem o agônico prazer dos da casa grande. O reaparelhamento é demorado, dos trinta anos previstos uns doze talvez um pouco mais sirva para deixar a casa em ordem e muitas vezes por falta de intuição alguma coisa não fica bem encaixada e a previsão de temporada de trinta anos antecipa-se. Custa muito dinheiro tudo isto e fazer caixa para manter a execução desta obra requer um esforço tremendo da família toda, passam dia pensando como. Ignorando por completo todo o entorno se isolam em conchas. Mas dizem eles que a causa vale a pena, embora alguns não lembrem que causa é esta; os efeitos a ideia é administrá-los ao longo da estadia prevista. Ficam tão envolvidos com reforma de mobiliários não percebem o movimento da vizinhança também empenhada em derrubar os muros amarelecidos e mudar a cor do seu próprio lugar. Para morar tanto tempo no mesmo trecho a vizinhança toda tem que ser bem compreendida se não tem que mudar né mesmo!

Júlio César de Carvalho Jota

terça-feira, 18 de março de 2014

Frames e mais frames

Golpe militar! Os Generais querem distância disso; não desejam esta complicação burra. Única chance de um governo absolutista só acontece a partir do próprio governo. O parlamento inteiro é governista, com raríssimas exceções, causa enfado acompanhar aquelas discussões. Não vai ser uma eleição pé nas costas, como sempre os acordos começam a ser costurados e para contemplar os vários nichos de poder que compõem o governo vale tudo, chantagens, ameaças, dossiês, mas só perde por inabilidade, incompetência, relaxamento pelo “ah! Já ganhamos”. Por isso não entendo essa preocupação com “marcha da família”, a impressão é que tudo que foge do balanço de bandeiras padrões causa arrepios e antes que se avolumem tentam uma ação antidemocrática do “você não pode opinar”, o que também é válido enquanto estratégia de minar uma possível adversidade, só penso que colocar suástica é muita apelação. O único “AI-5” (exagero) vislumbrado foi à fala governista de tolher liberdades quando do acontecimento Copa 2014. No mais a vida segue com o mundo muito grande e bilhões de celulares atentos capturando todos os frames para alegria do Foucault e isto serve a variadas intenções.


Júlio César de Carvalho Jota

segunda-feira, 17 de março de 2014

2009/2010 X 2013/2014

2 Cenários:
1 - Final de 2007 Brasil foi escolhido sede da copa do mundo de 2014. As cidades sedes só foram definidas no final de 2008 e nenhum estádio recebeu qualificação para realizar o evento, grande jogada. Auge da crise econômica mundial e o presidente dizia que no Brasil não passaria de uma marolinha. 2009 campanha de 2010 já fervendo e o país vivendo uma ilusão de copa. Lula consegue eleger a Dilma. O evento estrategicamente pensado, com sedes espalhadas pelo país inteiro, começa a acontecer na prática, às cidades vão sendo transformadas em grandes canteiros de obras, estádio implodidos para construção de novos e outros passando por grandes reformas; nesse jogo extra campo milhões de empregos são gerados para profissionais de todas as qualificações e o Lula disse certo sobre a crise não atingir o Brasil. O setor de serviços teve um grande aliado para segurar emprego que foi a copa 2014.

2 - Início de 2014 a pouco mais de 80 dias para o inicio da Copa 2014, muitas intervenções em algumas das cidades sedes não foram concluídas; mencionam-se superfaturamento, obras executadas com péssima qualidade, muitas tendo que ser refeitas, aeroportos sem condições para receber os que chegam, algumas cidades sedes já estão com seus leitos todos ocupados com reservas; a mobilidade em muitas cidades sedes é caótica. À medida que o evento aproxima-se do seu acontecimento começa  uma inversão do que foi mencionado no cenário 1, como grande parte da mão de obra que gerou milhões de empregos foi direcionada para os serviços menos qualificados e com a conclusão de grande parte delas, as dispensas de milhões começam a ocorrer. Por outro lado as pessoas não estão satisfeitas da forma como as ações foram conduzidas para gestar o evento copa 2014, o que serviu para alavancar outras insatisfações que começaram a colocar em xeque o governo Dilma. A cena que esta sendo montada a revelia do governo de plantão para as eleições de Outubro de 2014 são completamente diferentes daquela muito bem engendrada pelo Lula em 2009/2010. 

Júlio César de Carvalho J